quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Tudo é Vaidade

Ele tentou ser valorizado construindo algo novo mas o novo que ele construiu não foi visto. Quando foi visto foi tido como algo bom mas que sempre existiu.

Ele imergiu e tentou ser diferente, tentou ser notado por não ser igual, mas acabou descobrindo que todos são um pouco diferentes e que isso não faria dele algo mais.

Então, desacorçoado, tentou ser amigo dos poderosos, mas percebeu que não era do tipo que se convidava e logo todos esqueciam de manter ele no circulo.

Ele tentou cantar mas acabou descobrindo que ser afinado era só o princípio e que a musica que se canta, os músicos com quem se toca  e quem está disposto a te ouvir são mais importantes do que o próprio talento.

Ele tentou escrever, mas seus escritos ficaram guardados e quando muito eram lidos por dois ou três que gostavam do que viam mas era só.

Sentindo-se um fracasso, percebeu que nada que fizesse poderia torna-lo alguém importante. Então começou a trabalhar, esqueceu a fama, esqueceu as construções, esqueceu as excentricidades. Parou de tentar se encaixar em grupos e guardou para si seus textos e suas canções.

Foi aqui que ele viu ela, que era talentosa, bonita, cantava e escrevia. Ele viu o valor que os outros não viam. Ela não tinha interesse em fazer amigos, não tinha interesse em poder, não tinha vontades mirabolantes, ela só queria viver. E mais uma vez ele pensou: "Quem sou eu para competir por alguém de tamanho valor?".

Mas a verdade sobre as coisas é que a jornada que trilhamos nos molda e transforma, nos preparando para coisas que nunca esperaríamos viver. Quando teve oportunidade de se aproximar, descobriu que ela também estava ferida e também não encontrava um lugar onde se sentisse acolhida. E ele então se tornou este lugar. Finalmente ele tinha alguém a quem amar.

Ela o feriu, não porque fosse má, mas porque pessoas feridas agem por impulso e no seu medo elas machucam. Ele não podia entender mas foi resistente devido a tudo que passou, a um ponto em que pode encontrar o melhor nela, e ela viu nele um valor que ninguém via.

Juntos, afloraram o melhor lado um do outro e ambos cresceram. Ela encontrou um lugar onde pode crescer e errar sendo apoiada, mas ele continuava a se sentir deslocado, quase como alguém sem lar. Faltava a ele alguém com quem pudesse conversar sobre seus devaneios. Não que ela não lhe fosse importante, mas ela não conseguia entrar nos temas que ele precisava falar.

Ele foi ficando mais calado. Amava estar com ela mas um lado seu precisava deste ar. Então ele voltou a escrever, ele voltou a dar voz as ideias que povoavam sua mente, aos pensamentos que nunca o deixavam. Em dado momento pensamentos se transformaram em canções. E mais uma vez ele tinha em mãos algo grandioso mas que só tinha valor para ele. Mas dessa vez não importava mais, ele só queria seguir em frente, ser ele mesmo e deixar fluir tudo aquilo que estava aprisionado nele procurando um lugar para existir.

Ele seguiu em silencio, seguiu sendo quem precisava ser. Ela não reparou porque de fato, quantas vezes você realmente pensou sobre o que sente um homem?

Mas em um momento de pura construção, alguém finalmente notou que existia valor naquilo que ele sempre mostrou. Não é que tudo tinha mudado mas ele finalmente não estava sozinho no mundo. Ele se sentou a luz do luar olhando as estrelas e mal podia acreditar que alguém realmente entendia o que ele amava fazer. Ele estava muito cansado de tentar se encaixar mas percebeu naquele instante, que toda a jornada construiu alguém mais digno e que tanto tempo sem ser notado o tornou melhor naquilo que faz seu coração arder, que ele só estava sendo notado porque finalmente deixou de tentar ser visto e passou a existir mesmo que ninguém soubesse.

A jornada o tornou forte, o silencio o construiu e existir o fez ser notado. Ele ainda era ninguém mas já era alguém digno de menção, mesmo que nada neste mundo fizesse sentido e que tudo seja apenas vaidade. Agora ele podia conversar, agora ele tinha um lugar mas mesmo assim, ele não tinha perdido a noção de quem o trouxe até ali.

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